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Após uma longa pausa, o Tramp voltou a bater um papo com os cantores e compositores do Brasil. E para celebrar a 41ª entrevista da série, nós conversamos com o músico carioca João Capdeville, que – com apenas 21 anos, prestes a soprar mais uma velinha – lançou o ótimo EP Pausa, nome bastante sugestivo para celebrar a volta das nossas entrevistas. O trabalho conta com cinco músicas, que combinam instrumentais potentes a uma voz delicada e mescla elementos da música sul-americana com a vibração da Espanha, país onde estudou.

Filho de professores, João mostra nas faixas “Lembra?”, “Da Razão”, “O Mundo Vai Girar”, “Sua Vitória” e “Pausa” toda a sua poesia autoral e intimista, baseada e influenciada por nomes como Caetano Veloso, Jards Macalé e Chico Buarque. Além disso, Capdeville também é capaz de transformar 20 minutinhos do seu dia em um período de tempo muito mais agradável e animador, o que fará você provavelmente dar o play em loop. Ouça o álbum abaixo e confira conversa:

Quando aconteceu o seu primeiro contato com a música?
JC: Lembro que, quando eu era pequeno, brincava de escrever música. Eu usava um bloquinho de rascunho para anotar várias ideias que eu achava super importantes na época. Normalmente questionava algumas coisas que me desgostavam bastante. O dever de casa era uma delas, risos.

Se você não fosse músico, o que seria?
JC: Essa é uma boa (e difícil) pergunta. Embora jovem, eu já quis ser muitas coisas na vida. Acho que por muito tempo me faltou cair a ficha de que a minha vocação era essa. Alguns amigos queridos me fizeram cair na real e puseram na minha cabeça que eu devia seguir essa vocação. Agradeço muito a eles por isso.

Compor para você é?
JC: Compor pra mim é a única maneira de me expressar por completo. Não sou das pessoas mais comunicativas que existem, sou muito tímido e, na maioria das vezes, muito fechado. O único momento onde eu consigo falar sobre mim de verdade é na hora em que estou compondo. É a hora onde eu perco todas as minhas travas e conto pro violão, o que se passa comigo.

Você tem algum ritual, passo-a-passo, método, etc, para compor suas canções?
JC: Bom… Eu passo um bom tempo do meu dia tocando violão. Acho que é a atividade que mais pratico nos meus dias. Então, normalmente as composições surgem como consequência de algo que eu tenha tocado nele e que me agrade. Depois vem melodia e letra. Na maior parte das canções é assim, mas ocorre também de vir primeiro a letra e depois o resto.

Se você pudesse ser algum outro músico, quem você gostaria de ser?
JC: Não sei. Acho que nenhum. Admiro e sou fã de milhares de artistas, mas não consigo me ver como outra pessoa, por mais incrível que ela seja pra mim.

Existe alguma música que você queria ter escrito?
JC: Acho que sinto isso por quase todas as músicas de outros compositores que toco. Quando me proponho a interpretar alguma música de outro artista, é porque me identifiquei muito com ela. E, de certa forma, ao tocar sinto como se tivesse mesmo a feito.

Quais são as suas principais referências?
JC: Os grandes nomes da MPB, como Maysa, Chico Buarque, Caetano Veloso, Tom Zé, Jards Macalé, etc.

Qual é o seu disco nacional preferido?
JC: Não tenho um disco favorito. Cada hora tenho um novo disco da vez. Atualmente tenho ouvido muito o Diplomacia, do Batatinha. A música que dá nome ao álbum é linda.

E o internacional?
JC: Já de internacional, eu tenho escutado muito o Terra, da Mariza.

Para você o que a MPB representa?
JC: Um motivo de orgulho.

O que os fãs do João Capdeville podem esperar no futuro?
JC: Podem esperar a continuidade de um trabalho feito com o coração.

Tramp entrevista é uma série de conversas com os principais nomes da música nacional, onde os mais diferentes artistas respondem sempre as mesmas perguntas sobre música, composição e vida.