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Na 42ª entrevista da nossa série, o Tramp bateu um papo com o cantor e compositor carioca Leo Middea, de apenas de 19 anos, que começou sua história com a música desde bem cedo, aos 14 anos montou sua primeira banda, e aos 18 decidiu seguir em carreira solo.

Contando com a ajuda de um estúdio, amigos e familiares, Middea gravou o seu primeiro CD em 2014. Intitulado Dois, o trabalho foi inspirado em duas fases de sua vida. Ao decorrer do disco, é possível notar a ligação entre as músicas, que foram cuidadosamente organizadas para se fundirem e contarem uma única história. Além de uma poesia clara, equilibrada e cheia de ritmos, o trabalho parece sair do quarto do artista e tomar as ruas da cidade. Neste álbum, vale destacar as ótimas “O Mochileiro”, “Menina do Porto”, “Bilhete”, “Em Cima das Nuvens” e “Dona do Seu Carnaval”. Confira abaixo a entrevista e ouça o trabalho:

Quando aconteceu o seu primeiro contato com a música?
LM: Quando eu era bem novo lembro de um violão antigo da minha mãe que eu ficava brincando, fingindo que sabia tocar, mas de alguma forma ele me chamava atenção, me fazia sempre admirá-lo e querer realmente que soasse alguma melodia, só alguns anos depois eu comecei a aprender a tocar.

Se você não fosse músico, o que seria?
LM: É difícil saber, estou seguindo o fluxo da vida e ela está me levando por este caminho a cada dia que passa, na expressão do meu coração ser músico é o que me abastece hoje, esse momento presente é o que importa. Talvez amanhã seja outra coisa, vou seguindo o ritmo e o fluxo do meu coração.

Compor para você é?
LM: Uma terapia, me alinho, me organizo e me equilibro.

Você tem algum ritual, passo-a-passo, método, etc, para compor suas canções?
LM: Eu não me coloco no status de músico, mas sim de compositor e pra mim compositor é aquele que quando sente vontade de escrever, então escreve. Tem gente que espera meses pra compor porque sente que falta inspiração. Mas acredito que o que falta é um equilíbrio interno, um desdobramento de si mesmo que impede de se expor.

Se você pudesse ser algum outro músico, quem você gostaria de ser?
LM: Ninguém, tenho inspirações de vários artistas que admiro muito, porém não uma identificação a ponto de me sentir no lugar do outro, gosto de sentir que o que estou fazendo vem de dentro de mim. A cada semana eu admiro um artista diferente, se eu for responder o artista que mais estou admirando agora, o leitor que ler essa entrevista semana que vem vai estar lendo uma mentira.

Existe alguma música que você queria ter escrito?
LM: Olha, é uma pergunta interessante, todos os covers que toco são feitos porque alguma coisa bateu aqui dentro. Uma música que sempre está presente nos meus shows é “La Belle de Jour”, do Alceu Valença, amo de paixão.

Quais são as suas principais referências?
LM: The Beatles, Caetano Veloso, Chico Buarque, Los Hermanos , Mercedes Sosa , Perotá Chingó e alguns outros, no momento vieram esses.

Qual é o seu disco nacional preferido?
LM: Os discos pra mim são como uma onda, mas atualmente o disco Foi No Mês Que Vem, do Vitor Ramil, tem ganhado meu respeito.

E o internacional?
M: Cara, há o disco da trilha sonora do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, para mim a vida tinha que ter essa trilha sonora. É encantador! O disco se chama Amélie e foi produzido por Yann Tiersen, em 2001.

Para você o que a MPB representa?
LM: Um orgulho, um amor.

O que os fãs do Leo Middea podem esperar no futuro?
LM: Tudo igual de uma forma diferente.

Tramp entrevista é uma série de conversas com os principais nomes da música nacional, onde os mais diferentes artistas respondem sempre as mesmas perguntas sobre música, composição e vida.