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Na 43ª entrevista da nossa série, o Tramp bateu um papo com o cantor e compositor do Vale do Paraíba, Tuia Lencioni, que despontou nos anos 90 com a banda Dotô Jéka. Dono de sucessos, como “Bailarina”, “O Céu”, “Olhos Claros”, “Tua Pele Aos Fogos”, “Atalhos” e “Flor”, com a participação em dueto do grande Guarabyra, do lendário trio Sá, Rodrix e Guarabyra, Tuia lançou nos últimos anos o CD/DVD Tuia Ao Vivo, em 2009, e o álbum Jardim Invisível, em 2013.

Com mais de 20 anos na estrada e influências que vão do folk/rock a música regional caipira, Tuia pretende lançar em 2015 seu novo EP, intitulado Reverso das Cores, mas para isso ele iniciou uma campanha de crowdfunding no site Kickante, que vai até o dia 17 de janeiro, e também trocou uma ideia com a gente. Confira:

Quando aconteceu o seu primeiro contato com a música?
TL: Foi logo na infância, eu tinha uns 8 anos, adorava ouvir os discos do Milton Nascimento e do Taiguara com minha mãe, logo depois veio o rock com Peter Frampton, Queen e a vinda do Kiss ao Brasil em 83. Pedi uma guitarra para o meu pai e com meus irmãos e um amigo ficávamos brincando de show para a família, mesmo sem saber tocar nada ainda, risos! Mas logo depois comecei a tocar em festinhas de amigos de escola e nunca mais parei.

Se você não fosse músico, o que seria?
TL: Palhaço de circo ou sei lá trabalharia num zoológico aqui ou na Lua, risos! Falando sério adoro o circo, essa coisa de artista itinerante, realmente gosto de plateia e seria muito feliz vivendo dessa maneira, segundo as pessoas tenho vocação para palhaço profissional.

Compor para você é?
TL: Acho que é algo natural, mesmo quando eu mal sabia tocar um instrumento já criava melodias com letra, não sei explicar, mas é assim que funciona.

Você tem algum ritual, passo-a-passo, método, etc, para compor suas canções?
TL: Depois de um bom tempo criando música, tenho uma maneira que não é um método, já que a música nasce na verdade, ninguém cria. Mas sempre fico tocando e algumas melodias começam a brotar, só então penso na letra que vem sempre realmente de uma inspiração estranha, já que nunca escrevi a partir de um título. As palavras chegam, só depois reconheço os significados e então começo a trabalhar poeticamente, tentando deixar o texto interessante por si só, independente da melodia. Depois disso me dou por satisfeito!

Se você pudesse ser algum outro músico, quem você gostaria de ser?
TL: Acho que meio James Taylor com Milton Nascimento e um toque de Robert Plant, risos! Mas também ficaria feliz em ser o John Lennon.

Existe alguma música que você queria ter escrito?
TL: Várias, risos, mas acho que “Yesterday”, de Lennon/McCartney, “Georgia on My Mind”, de Hoagy Carmichael e Stuart Gorrell, e “Amora”, do Renato Teixeira.

Quais são as suas principais referências?
TL: Vão de Clube da Esquina, Secos e Molhados, Sá, Rodrix e Guarabyra, Renato Teixeira, Cazuza, Humberto Gessinger e Nando Reis até o Led Zeppelin, Beatles, James Taylor, Cat Stevens, por aí…

Qual é o seu disco nacional preferido?
TL: Milton Nascimento e Lô Borges, Clube da Esquina, de 1972.

E o internacional?
TL: O primeiro do The Doors, The Doors, de 1967.

Para você o que a MPB representa?
TL: Música feita no Brasil, em português e de qualquer gênero.

O que os fãs do Tuia Lencioni podem esperar no futuro?
TL: Música sem precedentes, aconteça o que acontecer!

Tramp entrevista é uma série de conversas com os principais nomes da música nacional, onde os mais diferentes artistas respondem sempre as mesmas perguntas sobre música, composição e vida.